"NOSSA VISÃO: CONHECER A CRISTO CRUCIIFICADO E TORNÁ-LO CONHECIDO, EM TODO LUGAR, POR MEIO DA GRAÇA."

domingo, 17 de agosto de 2008

QUEBRANTAMENTO

Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos. Isaías 57:15.

No livro “O segredo de uma vida feliz”, Hanna W. Smith conta a história de duas amigas que queriam servir a Deus. Para isso, ambas julgavam ser necessário se preparar em um seminário. Uma delas pôde se preparar, a outra não. A que estudou se tornou um instrumento valiosíssimo nas mãos do Senhor, a outra ficou impossibilitada de estudar, pois o seu marido adoeceu, e por anos teve que cuidar dele. A sua reação não foi nada positiva, pelo contrário, tornou-se cheia de amargura e com o coração endurecido em relação a Deus. Depois de muitos anos, ao orar, perguntou a Deus, porque Ele não permitira que seu plano se tornasse realidade. Foi quando ela ouviu a voz: “Quem disse que eu não permiti? Eu estava lhe dando a oportunidade de aprender a amar e cuidar verdadeiramente dos outros, mas você não quis”. Na verdade, ela tinha sido matriculada por Deus na disciplina do quebrantamento, mas não sabia.

Há muitos novos nascidos que querem ver a manifestação do poder do alto em suas vidas e estão dispostos a prestar serviços, mas não querem receber a preparação para isto. Entretanto, para que possamos experimentar a plenitude da vida de Cristo em nosso interior, o nosso “eu” tem que ser quebrantado e nossa vontade conformada com a vontade Dele. Ser quebrantado é o primeiro requisito para experimentar a vida de Deus em nossa vida.

Entretanto, entrar neste processo pode ser algo doloroso e humilhante. Significa uma vida de renúncia total do que somos e temos. É experimentar cotidianamente. Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gálatas 2:20.

O “ego” é um morador antigo que reluta em ser despejado. Ele é a parte dentro de nós, que gosta de se justificar, de impor a sua vontade, lutar pelos seus direitos e buscar sua própria glória. O Senhor Jesus não pode viver livremente e revelar-se através de nós, enquanto o “ego” – o conjunto que compõem a nossa alma – não for quebrantamento. O plano de Deus para a vida dos seus filhos é nos fazer à imagem e semelhança de Jesus Cristo. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Romanos 8:29.

Para isto, o cristão precisa ser liberto das amarras que o prendem a si mesmo, ser submetido a várias provas para que elas sejam cortadas. Valores e sentimentos de auto-justificação, orgulho, medo e desconfiança são aspectos do ego que Deus quer extirpar dos seus filhos. Na nova criação há um conflito permanente entre a força da vida natural e a vida do Espírito. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. Gálatas 5:17.

As obras da carne impossibilitam florescer o fruto do Espírito em nosso coração. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. Gálatas 5:19-21.

Por meio de Sua Palavra Deus irradia luz para fazermos distinção entre o que procede do nosso espírito regenerado e o que vem da alma. Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. Hebreus 4:12.

Tanto a Palavra de Deus como o Espírito Santo atuam juntos para nos ajudar a distinguir o que é da alma e o que é do espírito. A luz da palavra revela as ações da alma e a disciplina do Espírito, quebra as atitudes que são independentes de Deus.

O quebrantamento tanto é obra de Deus como nossa. Deus nos mostra a porta e o caminho, mas cabe a nós dar os passos. É uma questão de decisão. Porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela. Mateus 7:14.

Se de fato estivermos dispostos a enxergarmos como realmente Deus nos vê, e a andar no caminho proposto por Ele, então, ele nos mostrará os pecados em nosso interior que Ele quer remover. Contudo, podemos também não trilhar o caminho da cruz, e permanecer na dureza do nosso coração, sem arrependimento e sem progresso espiritual.

O quebrantamento não é apenas um ato, mas um processo continuo. Durante o dia todo, a escolha estará diante de nós de mil maneiras. Na medida em que caminhamos na Luz precisamos reagir com humildade para não sair da condição de quebrantamento. Isso tem um custo. Somos testados a constantemente abrir mão dos nossos direitos, interesses egoístas e muitas vezes nos humilhar diante das pessoas com confissões e restituições.

Os arranjos do Senhor são perfeitos para quebrantar o nosso ego. Ele usa de vários meios para atingir Seu objetivo. As circunstâncias adversas, o julgamento dos outros, a vergonha pública, o sofrimento e até os nossos fracassos, são alguns recursos que Deus usa para nos livrar do domínio do ego.

Porém, o que faz toda a diferença são as nossas reações diante das provas. Elas podem produzir em nós, quebrantamento ou endurecimento. De nossa parte, o que temos de fazer é somente nos colocar numa posição de relacionamento correto com o Senhor Jesus, para que vejamos Sua vida manifestada em nossa vida e serviço.

Ao tentar para a vida de José – filho de Jacó – vemos o quanto foi provado e o quanto foi transformado pelo amor de Deus. Sobre José, lemos no Salmo 105:18-18: Cujos pés apertaram com grilhões e a quem puseram em ferros, até cumprir-se a profecia a respeito dele, e tê-lo provado a palavra do SENHOR.

Sua provação pela palavra do Senhor, consistiu em: ser traído pelos próprios irmãos, ser jogado no fundo da terra, julgamento injusto, ser trancafiado em um calabouço, além de anos de exílio. Por meio de tudo isso, ele experimentou o quebrantamento e o amor de Deus para perdoar os seus irmãos.

O propósito de todas as provações e testes do Senhor é nos levar à cruz do Calvário. Somente ali podemos encontrar consolo e solução para todas as nossas necessidades. A disposição de Jesus em ser quebrantado por nós nos compele a sermos quebrantado também. Jesus disse: Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. João 12:24.

Jesus é o verdadeiro grão de trigo que caiu das mãos de Deus nesta terra. Sua vida foi partida, quebrada. D sua morte surgiu a Vida, multiplicando-se em novas sementes para Deus. Em Cristo nos tornamos novos grãos de trigo nas mãos de Deus.

Quando olhamos para Jesus o vemos desprendido dos seus direitos, caminhando submisso em direção ao Calvário. Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Filipenses 2:6-8. O apóstolo Paulo ao descrever o exemplo de Jesus, traz a seguinte admoestação: Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Filipenses 2:5.

Se formos honestos, veremos o quanto estamos distantes de Jesus. Veremos o quanto de nossa própria força ainda existe em nós. Tentamos levar a vida cristã na força de nosso braço. Queremos realizar o serviço cristão à partir de nós mesmos, por isso, nos vemos irritados, ressentidos, críticos e ansiosos. Duros e inflexíveis em relação aos outros, impiedosos e sem misericórdia com as falhas dos irmãos. Não é de se admirar porque temos a necessidade de um continuo quebrantamento.

Quando experimentamos o quebrantamento mediante a aplicação da cruz no nosso intimo somos habilitados pra endireitar nosso relacionamento com os outros. O resultado do nosso quebrantamento começa a se manifestar na atmosfera de nosso lar, no ambiente de trabalho e na comunidade, quando a presença de Deus for transbordante no nosso intimo.

Martinho Lutero dizia que: “Em Cristo somos simultaneamente pecadores e santos”. Esta é a razão porque necessitamos estar conscientes o tempo todo de nossa identificação com Cristo em sua morte. O olhar fixo na cruz do Calvário põe fim às manifestações do “velho homem” e permite a expressão da vida de Cristo em nós. Assim, todas as nossas ações e reações podem ser feitas a partir da vida proveniente da ressurreição. O texto de Isaías 57:15, diz que o Senhor habita com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.

O desejo de Deus é que vivamos no plano do nosso espírito e não da alma. Pois somente assim podemos ter consciência, comunhão e discernimento das intenções do Espírito de Deus para cada situação. Somente a manifestação da vida de Cristo agrada a Deus e pode ser vitoriosa. Quando negamos a nós mesmos e tomamos a nossa cruz o nosso “ego” diminui.

O espaço criado pela cruz é preenchido com a vida do Senhor Jesus. Meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós; Gálatas 4:19. Isso é quebrantamento! Isso é santificação!

Pr. Julio César Lucarevski - Pastor da Primeira Igreja Batista em Londrina - PR - 17/08/2008

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