"NOSSA VISÃO: CONHECER A CRISTO CRUCIIFICADO E TORNÁ-LO CONHECIDO, EM TODO LUGAR, POR MEIO DA GRAÇA."

terça-feira, 3 de novembro de 2009

AS BENÇÃOS DE DEUS OU O DEUS DAS BENÇÃOS?

Tinha ele duas mulheres: uma se chamava Ana, e a outra, Penina; Penina tinha filhos; Ana, porém, não os tinha. 1 Samuel 1:2.

Ana era uma pessoa piedosa que amava a Deus. Era casada com Elcana. Mas havia um vazio na vida de Ana: ela não tinha filhos. Seu grande projeto de vida era dar à luz um filho. O seu sonho era legítimo, puro, digno. Ela queria ser mãe; mas era estéril. Na sua cultura, a esterilidade era uma maldição, uma vergonha, uma desgraça. Por causa disso, Ana capitulou-se à tris­teza e à depressão. Ela chorava copiosamente e seu semblante descaiu. Ela não conseguia comer. Sua dor era profunda. As palavras já não brotavam dos seus lábios. Só conseguia balbuciar seus gemidos diante de Deus. Mas por que Ana era estéril? Por que seu so­nho de ser mãe estava sendo adiado? Por que foi vitimada por uma doença incurável, que carregava um profundo peso de ostracismo social? A doença de Ana não era provocada por um pecado que ela teria cometido. Também não se originava de algu­ma maldição hereditária nem muito menos resul­tado de ação satânica. O texto bíblico é claro em afirmar que Deus a deixou estéril. 1 Samuel 1:5 A Ana, porém, dava porção dupla, porque ele a amava, ainda mesmo que o SENHOR a houvesse deixado estéril.
Muitos hoje pensam equivocadamente que toda doença tem pro­cedência maligna. Esse não é o ensino das Escritu­ras. Nesse caso, o agente da doença de Ana é o Se­nhor. Deus mesmo a fez estéril. Deus mesmo adiou o seu sonho. A mão de Deus está presente como protagonista desta história de dor e lágrimas. Mas, por quê? Oséias 6:1 Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará.
É um grande mistério entender como e por­que os nossos sonhos legítimos são adiados. Esse será o centro da nossa atenção a partir de agora. Por que Deus, sendo amoroso e misericordioso, nos per­mite passar por situações dolorosas? Por que, às ve­zes, ele é o próprio agente dessas situações amargas? Por que, Deus sendo tão bom, adia a realização dos nossos sonhos mais acalentados? Ele não tem prazer em ver os seus filhos sofren­do. Ele sempre tem o melhor para nós. Mas então por que ele adia a realização dos nossos sonhos? Talvez esse seja o grande dilema da sua alma: ver os seus sonhos sendo arrastados na correnteza do tempo. Como Ana, você tem proje­tos claros, sonhos legítimos, mas eles não se con­cretizam. Você luta, mas não vê os seus desejos cum­pridos. A Bíblia diz que a esperança que se adia adoece o coração. A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida. Provérbios 13:12.
Talvez você já esteja cansado de esperar. Como Ana, você já está entran­do num processo de depressão. Não consegue mais comer, só chorar; não consegue trazer no rosto a beleza de um sorriso, pois o seu semblante já descaiu. A situação troveja aos seus ouvidos uma única mensagem: Não existe jeito. Não há saída. Não há solução à vista. Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes. Romanos 12:12.
Parece que nada está acon­tecendo, mas com Deus no controle alguma coisa está acontecendo. Nossa vida não está solta ao léu, sem rumo. Não somos guiados por um destino cego. Não somos jogados de um lado para o outro ao sabor das circunstâncias. Nossa vida está nas mãos do Rei do universo. Ele é Todo-poderoso, é bom e fiel em todas as suas obras. Ele trabalha de tal for­ma em nossa vida que “todas as coisas cooperam para o nosso bem”. Ele sabe o que faz com a sua e a minha vida. Ele está no leme, não tenha medo da tempestade. Ele está no controle da sua história, não se desespere. Ele pode o impossível, não desista de seus sonhos. Ele tem sobejas razões para adiar a realização dos seus sonhos. A questão é: por que Deus adia a realização dos nossos sonhos? Para que compreendamos que o Deus das bênçãos é melhor do que as bênçãos de Deus. É exatamente isso que Ele quer nos mostrar nesta manhã. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre. . Salmos 73:26.
Os problemas nos aproximam de Deus. É no vale que olhamos com mais intensidade para as al­turas. É na crise que recorremos com mais pressa a Deus. Quando os nossos sonhos não se realizam, temos necessidade de buscar a Deus. É nessas horas que aprendemos a profunda lição que Deus adia os nossos sonhos para que o coloquemos em primeiro lugar em nossa vida. O Deus das bênçãos é melhor do que as bênçãos de Deus. A intimidade de Deus é a maior necessidade da nossa vida. Estar com Deus é a maior prioridade da nossa agenda. Pois todo aquele que morreu e ressuscitou com Cristo, desejará ardentemente desfrutar da sua doce comunhão, pois está é a principal necessidade do regenerado. 1 João 1:3b. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.
Os problemas não vêm para nos afastar de Deus, mas para nos levar à presença divina. Eles não são permitidos ou mandados por Deus para nos destruir, mas para gerar em nós dependência do Altíssimo. Deus adia a realização dos nossos so­nhos para nos manter perto dele e nos ensinar que tudo, sem ele, é nada. Não aprendemos as maiores lições da vida em dias de festa, mas na escola do sofrimento. É no vale que aprendemos as mais profundas lições da vida. É quando os nossos recursos se esgotam que conhecemos a providência do Jeová Jiré. É quando temos consciência de que o homem é homem, é que sabemos que Deus é Deus. E quando somos fracos que somos fortes. Sonhos não realizados, desejos não satisfeitos, via de regra, nos levam à presença de Deus. O sofri­mento não é um bem em si mesmo, mas Deus tra­balha em nossa vida de tal forma que o sofrimento se transforma em bem para nós. O sofrimento não é um fim em si mesmo. Ele é pedagógico, tem um propósito positivo. As tribulações produzem paci­ência, e a paciência deságua numa profunda experi­ência com Deus. Romanos 5:3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado.
Estamos vivendo a cultura da centralidade do homem, em torno do qual tudo gira. Até a religião cristã está sendo seduzida por este antropocentrismo idolátrico. Essa visão humanista diz que Deus está a serviço do homem. Proclama que a vontade do homem deve ser sempre satisfeita. Essa teologia ensina que não é a vontade de Deus que deve ser feita na terra, mas a vontade do homem que deve ser feita no céu. E por isso que muitas pessoas se apresentam diante de Deus, fazendo orações que o colocam contra a parede: “Eu decreto, eu determi­no, eu ordeno, eu proíbo, eu rejeito, eu não aceito”. Essa visão, contudo, é falsa. Não é o ho­mem quem está no centro. E Deus quem está as­sentado no trono. Só ele é soberano. Ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade. Ele não aceita ser pressionado. Ele não tolera imposi­ções. A única coisa que nos cabe é nos lançar humildemente aos seus pés sabendo que quando os nossos sonhos são adiados é porque Deus quer nos ensinar a lição de que ele é melhor do que suas bên­çãos. A nossa maior necessidade não é de coisas, mas de Deus! Salmos 63:1 Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água.
Quando Samuel nasceu, Ana o viu como mi­lagre de Deus. Ela sabia que a sua gravidez não ha­via sido normal. Samuel era fruto de uma interven­ção sobrenatural e extraordinária de Deus em sua vida. Ana sabia que Samuel era fruto da resposta às suas orações. Por este menino orava eu; e o SENHOR me concedeu a minha petição que eu lhe tinha pedido. 1 Samuel 1:27.
Precisamos ter claro em nossa mente que tan­to o ordinário quanto o extraordinário são bênçãos procedentes do Senhor. O simples fato de estarmos vivos é um milagre de Deus. O alimento que temos sobre a mesa é um prodígio da providência divina. Geralmente as pessoas só enxergam como milagre de Deus os fatos sobrenaturais. Mas não vêem como ação maravilhosa do Senhor o fato de sermos protegidos diariamente dos aleivosos perigos das doenças contagiosas, dos vírus e bactérias que nos cercam. Às vezes, só interpretamos como milagre o fato de uma pessoa sofrer um acidente grave e sair ilesa, mas não paramos para agradecer a Deus o fato de sairmos de casa todos os dias e voltarmos em segurança. 1 Pedro 1:5 Que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.
Deus age no seu tempo. Ele não se deixa pres­sionar. Ele é livre e soberano. Muitas pessoas que­rem determinar o que Deus deve fazer, como deve fazer e até mesmo quando deve fazer. A resposta de Deus não vem segundo o nosso tempo, pela pres­são da nossa agenda. Deus tem o seu tempo certo de agir. Ele, muitas vezes, protela os nossos sonhos para realizar coisas maiores em nosso favor. No auge de sua crise, Ana teve uma profunda experiência com Deus. Depois de vislumbrar a ma­jestade de Deus e receber dele um grande milagre, prorrompeu num cântico de exaltação ao Senhor e fez uma afirmação extraordinária: O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó e, desde o monturo, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do SENHOR são as colunas da terra, e assentou sobre elas o mundo. I Samuel 2:6-8. Amém.

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