"NOSSA VISÃO: CONHECER A CRISTO CRUCIIFICADO E TORNÁ-LO CONHECIDO, EM TODO LUGAR, POR MEIO DA GRAÇA."

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

CRESCENDO À MATURIDADE VI (Pericorese)

Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo. Efésios 5:21.
É necessário definirmos o que é Pericorese. A palavra grega se compõe de três radicais: “Peri” quer dizer “ao redor”, como periferia ou perímetro. A palavra: “chorea” de onde provém o meio de Pericorese, significa “dança ou estar de frente” como o coro de cantores que fica de frente para a plateia. E, finalmente, a ultima parte: “esis”; significa “decorrência”. Algo que jorra de uma fonte. Os cristãos do Oriente, eles tem uma figura interessante, pois eles chamam a comunhão da santíssima Trindade e da humanidade, eles comparam como uma dança. Uma dança de crianças, como uma brincadeira de roda. E eles dizem que a Trindade baila, dança por todo o Universo e por toda a eternidade. Também dizem que a Trindade abre espaço para participarmos dessa dança. A igreja como uma virgem pura é convidada a participar dessa dança. Então, a virgem se alegrará na dança, e também os jovens e os velhos; tornarei o seu pranto em júbilo e os consolarei; transformarei em regozijo a sua tristeza. Jeremias 31:13.
A figura que me vem à mente quando estou lendo os teólogos ortodoxos do oriente, é que Deus cria o Universo, também Ele nos cria neste Universo. E aquilo que Deus cria não é da mesma natureza Dele, mas o Filho de Deus, Ele se esvazia da Sua glória, mergulha no Universo para buscar você e a mim, e nos levar para junto da unidade entre o Pai e o Filho e o Espírito Santo, para essa brincadeira de roda, para essa ciranda da eternidade. Jesus orou por isso em João 17:20-21 Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.
Pericorese trata de comunhão relacional das três Pessoas da Santíssima Trindade, de um movimento de amor e graça para com toda a criação. Para ilustrar de outra forma, podemos dizer que numa dança de três, uma pessoa não pode liderar as outras duas. Antes, todas as três se movimentam como se fossem uma só, uma respeitando a outra, e nenhuma delas tendo supremacia sobre a outra. É assim que funciona a Trindade. Vejamos o texto que expressa a Pericorese: Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras. João 14:10-11.
O Termo Trindade não aparece na Bíblia, trata-se de um dogma da fé cristã, um mistério que só pode ser compreendido em termos de um relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Quando de sua criação, o homem é então convidado a participar da comunhão Trinitária. A Trindade é a compenetração das pessoas, é um recíproco estar no outro. Esta ação de amor não está fechada em si, mas aberta a toda Criação e este deveria ser nosso estilo de viver. O mundo não é dividido, mas diversificado. A Trindade não é dividida, mas há uma diversidade de Pessoas e essa simbologia nos desafia a viver uma espiritualidade inclusiva, interativa, cooperativa ao aceitar o outro, sem querer dominá-lo ou excluí-lo. Essa compreensão sobre a Trindade nos aproxima do mistério trinitário e amplia nossa concepção sobre o semelhante promovendo respeito, cumplicidade e identificação. João 17:22-23 Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.
Na teologia, a palavra Pericorese significa coabitação, compartilhar completamente a vida um do outro sem, contudo, perder a identidade. Cada Pessoa da Trindade se entrelaça completamente com as outras, contém e envolve as outras e, ao mesmo tempo, é contida por elas. É uma dança dinâmica que envolve mudança contínua: ora uma pessoa está no centro, ora outra. A cada momento, os participantes estão numa configuração diferente. As pessoas ficam de mãos dadas, quase o tempo todo. Assim, podemos chamar a Pericorese de dança da Trindade. Quem, a não ser um Deus que dança, desceria do céu para festejar com os homens a morte da morte? Quem, a não ser um Deus que dança se ofereceria em sacrifício de morte pela humanidade para ressurgir vivo ao terceiro dia? Na Pericorese todos os que creem estão incluídos. Foi por isso Deus nos incluiu em Cristo na sua morte e ressurreição, para que tivéssemos a Sua natureza divina. 2 Pedro 1:4 Pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo.
Por causa dessa obra perfeita de salvação, nós a Ti entoamos louvores de gratidão por ter vindo dançar com teu povo! Por todos os lugares se ouve a Tua voz, ainda no silêncio te ouvimos. O que seria de nós, não fora um Deus que dança e que nos convida para dançar com Ele, no banquete celestial onde já não haverá lágrima, nem pranto, nem qualquer dor? Bendito o nosso Deus e Pai que não se cansa de dançar nos corações que se transformam pela canção celestial da Trindade, entoada aos quatro cantos da terra: Jesus, Jesus, Jesus! Amo esse Deus que nos faz dançar de alegria por ouvir Sua voz de Pai amoroso. Como é precioso saber que esse Pai amoroso se deleita em cada um de nós. Sofonias 3:17 O SENHOR, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo.
O que é mais impressionante, é que esta ação pericorética entre o Pai e o Filho e o Espírito Santo é uma ação inclusiva, e não exclusiva, é uma ação de amor que não está fechada em si, mas é aberta a todos nós. Diante disso, somos conduzidos a ver a grandeza do caráter eterno de Deus e Sua magnifica obra dentro de nós. Contemplar a vida além do véu da eternidade constitui o maior privilégio para o conhecimento humano. Não há nada do ponto de vista do conhecimento que seja maior do que isso. Cristo está no Pai, o Pai no Filho e o Espírito Santo nos dois. Nós estamos em Cristo e Cristo em nós. Jesus disse em João 10:38: mas, se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai.

Deus existe, desta forma, como Pai, Filho e Espírito, essa relação pericorética em que há unidade, mas não a perda da identidade pessoal. E é assim que o universo é construído. Ele é construído de acordo com os planos ou o padrão do bom relacionamento entre o Pai, Jesus e o Espírito. A relação de amor. Ela tem seu selo de amor. Se quisermos compreender a natureza das coisas ou como elas funcionam, então aqui estão as plantas. Se quisermos compreender o que somos e o que fomos feitos, temos que ver a relação entre Pai, Filho e Espírito Santo. Um relacionamento centrado no amor, auto sacrifício, prazer mútuo, proporcionando o benefício dos outros, é assim que elas foram feitas todas as coisas e como eles funcionam. A Pericorese é o oposto do narcisismo, pois ela é um “voltar ao outro”, tudo que é feito, não é feito em solidão, mas em sociedade. Se você também creu em sua morte com Cristo, embora não saiba, você faz parte da Pericorese divina. Nós Nele e Ele em nós. Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. João 14:23. Amém.

Ouça os estudos em áudio no YOUTUBE: 

2 comentários:

António Jesus Batalha disse...

Estou a tentar visitar todos os seguidores do Peregrino E Servo, e verifiquei que eu estava a seguir sem foto, por motivo de uma acção do google, tive de voltar a seguir, com outra foto. Aproveito para deixar um fraterno abraço.
António Jesus Batalha.

Claudio Morandi disse...

Obrigado irmão! Graça e paz. Deus continue te abençoando.